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 Relatos de experiências

   1.Projectos terminados

      Susana Lourenço

        Daniel Nogueira

        António Machado

        Nuno Oliveira

        Alfredo Farinha

        Marília Coutinho

 

   2.Projectos a decorrer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Daniel Nogueira

 

 

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António Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nuno Oliveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Alfredo Farinha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Marília Coutinho

 

 

 

 

 

Projectos terminados

Desde 2002 que a Rota Jovem envia voluntários através deste programa. Os resultados alcançados estão presentes nos testemunhos que aqui divulgamos.  

Não queremos guardar estes momentos só para nós mas sim partilhar com todos aqueles querem mais informações sobre o Serviço Voluntário Europeu. Nada melhor do que conhecer o programa através das experiências vividas, com uma intensidade a 200%, onde o parar não é permitido… e cada minuto aproveitado ao segundo.  

O importante é viver e aprender através de momentos que irão ficar na memoria para sempre.... o mais difícil é descrever por palavras a experiência pessoal e o enriquecimento adquirido. 

Este espaço é da total responsabilidade dos voluntários da Rota Jovem que tiveram a oportunidade de fazer um S.V.E.

 Este espaço também pode ser teu… Não fiques só pela leitura!!!

 não deixes ESCAPAR esta OPORTUNIDADE!

 

 

Sardanha - Itália . Susana Lourenço

Tema do Projecto: Santuario Nuragico di Santa Vittoria – Serri - 00-IT-7202     

Entidade Envio: Rota Jovem

Entidade Acolhimento:  Associazione Intercultural NUR

Data: 2.04.02 a 2.10.02

 

DADOS PESSOAIS      

Morada: algures na zona do Estoril...

Estudei História da Arte, mas o que eu gosto mesmo é de criar com as próprias mãos – fazer peças em cerâmica e fingir que sou pintora! Para além disso, sou uma cinéfila convicta, gosto de ler, passear e estar com amigos. Quis fazer um S.V.E. porque era uma oportunidade de olhar para dentro de mim e crescer mais um pouco.

PROGRAMA

A Voluntária desenvolveu actividades na área de arte e cultura

Segunda-feira - Quarta-feira - Sexta-feira

7.30 – Acordar

8.00 – Pequeno Almoço

9.00 – inicio das actividades no acrópole e no antiquário

13.00 – Almoço

15.00 – Actividades na biblioteca e na ludoteca

18.00 – fim das actividades e tempo livre

20.00 – jantar

Terça-feira - Quinta-feira

7.30 – Acordar

8.00 – Pequeno Almoço

9.00 – inicio das actividades no acrópole e no antiquário

13.00 – Almoço

15.00 – Actividades no estúdio do poeta sorridente

18.00 – fim das actividades e tempo livre

20.00 – jantar

PREPARAÇÃO A CHEGADA

Cheguei dia 4 de Abril a Cagliari, a capital da Sardenha. Fomos imediatamente recebidos por pessoal da associação de acolhimento - NUR. Ficámos instalados num hotel durante quinze dias para termos formação do início do projecto. Na formação inicial estava eu e mais nove voluntários. Três da França – a Mélanie, a Gaelle e a Patrícia. Um da Polónia, o Daniel. Dois da Grécia – a Eleftheria e o Vassilis  e dois da Espanha - a Gemma e o José.

Juntos tivemos aulas de italiano fornecidas pela minha tutora, a Fernanda. Aqui aprendemos as bases das conjugações, os verbos e as preposições, por exemplo.  Também aprendemos algumas coisas sobre a cultura, a tradição e a arqueologia sarda. Todos tivemos a oportunidade, durante as duas primeiras semanas, de ficar a conhecer bem a cidade e de fazer amizade entre nós.

PROJECTO - ALDEIA

Depois desses quinze dias, cada um parte para o seu projecto. Eu fui para uma aldeia chamada Serri com a Mélanie, uma voluntária francesa. O projecto iniciou-se muito lentamente, em conjunto com a Câmara Municipal.

Serri é uma aldeia com cerca de 800 habitantes, no alto de um planalto, onde faz sempre um vento ensurdecedor. Numa comunidade pequena é necessário ter em atenção alguns aspectos: as aldeias na Sardenha tendem a ter uma mentalidade fechada, há sempre falatório, principalmente quando chegam duas pessoas vindas de fora. A taxa de participação dos habitantes nas actividades era baixa! Só para dar um exemplo: no workshop de arte e terapia começámos com cerca de 10 participantes e acabou em três! Era difícil incentivar as pessoas a fazerem actividades onde expressassem os seus sentimentos e emoções.

Estávamos ali e era necessário fazermos alguma coisa! A minha integração nesta comunidade foi lenta, mas é verdade que durante seis meses se tem uma forma de viver diferente do resto da nossa vida porque vivemos todos os sentimentos tão intensamente como o nunca tínhamos feito até então. Só por isto, e apesar das dificuldades, fazer o sve já vale a pena!

FAMÍLIA

Fomos inseridas  numa típica família sarda – papá, mamã, e dois “pirralhos” de 10 e 11 anos! Sim, é verdade, a mamma italiana é uma máquina! Fazem tudo, limpam, choram, riem, cozinham, berram, tomam conta do marido, tomam conta dos filhos!

No meio deste novo ambiente, com um piso só para nós, eu e a Mélanie inserimo-nos lentamente...

PREPARAÇÃO DAS ACTIVIDADES:

O nosso projecto consistia em fazer visitas guiadas num importante conjunto arqueológico a 5 km da aldeia, actividades no Centro Social com as crianças da aldeia e acompanhamento de idosos.

Em Junho e Julho organizámos um curso de língua francesa.

De Julho a Setembro organizámos e participámos num workshop de Arte e Terapia com o objectivo de integrar pessoas com deficiências mentais na comunidade. Este para mim foi a parte mais bonita do projecto e culminou na realização de um pequeno vídeo.

PROJECTO - ACTIVIDADES

O principal objectivo do nosso projecto era a promoção e conservação do património arqueológico a 5 km da aldeia  que se chama Santuario Nuragico Santa Vittoria di Serri. O Santuário foi descoberto em 1909 por um arqueólogo sardo de nome Taramelli, cobre uma área com cerca de 4 hectares e está datado entre os séculos XII e VII a. c.

Aqui recebíamos grupos de italianos e grupos internacionais que vinham fazer a vista a Santa Vittoria. O nosso trabalho no santuário desenvolveu-se desde finais de Abril até ao final de Setembro.

As nossas tarefas consistiam no acompanhamento desses visitantes, desde a venda de bilhetes, realização de visitas guiadas e préstimo de quaisquer outras informações. 

Uma das actividades, apontadas como principais, era a realização de actividades no Centro Social para os “bambini”. Infelizmente o Centro só funcionou até ao mês de Maio, o que não nos permitiu desenvolver esta actividade. Este é um exemplo das contrariedades que podem acontecer quanto à nomeação das  actividades dos projectos. Uma coisa é o que está escrito no papel e outra é a realização das actividades em si mesmas.

Mesmo assim, durante o mês de Maio realizámos actividades no centro Social – desde a organização de jogos com as crianças, manifestações culturais e preparação de festas temáticas com a comunidade local.

A visita a idosos não estava inicialmente prevista no projecto.  Foi uma ideia que partiu na nossa responsável, a Nella, a assistente social, para colmatar uma lacuna da Câmara Municipal. Mas esta actividade que não estava prevista veio a revelar-se uma das mais compensadoras e enriquecedora para ambos os lados.

Tínhamos uma lista de pessoas que devíamos visitar e ajudar sempre que necessário.  O mais interessante é que as relações entre os voluntários e os idosos acabaram por se revelar frutíferas e especiais...

Esta parte do projecto culminou com a realização de um vídeo onde procurámos abordar a forma como as nossas relações se desenvolveram. Todos os dias da semana visitávamos duas ou três pessoas, cada uma mais ou menos em uma hora. Isto durante cinco meses. Durante este tempo construíram-se bonitas relações.

Outra das actividades que supostamente deveríamos ter realizado era a passagem para o papel das poesias de Tonino Pirisi, poeta e escritor, com uma doença rara que o imobilizou por completo. Acontece que o Tonino neste momento já não escreve mais, embora tenha feito algumas poesias para mim e para a Mélanie...

Mesmo assim continuámos a visitá-lo com extrema assiduidade. Tonino tinha sempre algo para contar, é o mestre das anedotas!

AVALIAÇÃO INTERMÉDIA

No inicio de Junho eu e mais os outros voluntários que estávamos na Sardenha fomos até Spoletto, na região da Úmbria (centro) fazer a avaliação intermédia em conjunto com mais de cem pessoas de vários países que estavam na Itália a fazer um S.V.E. como nós. Estivemos em Spoletto, uma cidade absolutamente encantadora, durante três dias num hotel no meio da montanha (era lindo...). Durante estes três dias discutiram-se as experiências e problemas com que os voluntários se podem deparar através de jogos e dinâmicas de grupo. Foi uma oportunidade excelente para conhecer outros voluntários de vários países e também para conhecer Spoletto. 

PROJECTO - ACTIVIDADES

Em Junho e Julho organizámos um curso de língua francesa.

Este curso foi organizado por mim e pela Melanie e era ministrado no Centro Social. O curso tinha como objectivo aflorar apenas alguns aspectos básicos da língua francesa, tais como a apresentação, a conjunção dos verbos e as conjunções gramaticais, as preposições, o vocabulário, entre outros.

Os cursos eram ministrados às terças à noite para os mais velhos e às quartas feiras das 18 às 19:30 para os jovens dos 13 aos 15 anos. 

De Julho a Setembro organizámos e participámos num curso de arte e terapia com o objectivo de integrar pessoas com deficiências  mentais na comunidade.

Este curso era da responsabilidade de uma associação privada e tinha o Fabrizio e a Valéria como coordenadores.

Este curso realizava-se uma vez por semana às terças-feiras das 18 às 20. Estas duas horas eram mágicas tanto para os organizadores, como para os participantes, pois criava-se um ambiente leve através da utilização da música, dança com tecidos, jogos lúdicos, desenho, pintura, escrita, entre outros. 

Este para mim foi a parte mais bonita do projecto e culminou na realização de um pequeno vídeo a que decidimos chamar Voci di Pace onde abordámos as principais actividades desenvolvidas durante o curso.

TEMPOS LIVRES       

Os meus tempos livres eram ocupados principalmente por passeios na aldeia aonde encontrávamos sempre pessoas com quem conversar (vantagens das pequenas comunidades), idas à praia aos fins-de-semana. A Sardenha deve ter algumas das praias mais bonitas do mundo, com água transparente por kilómetros e kilómetros, sítios paradisíacos com pouca gente, enfim, um sonho... A mais bonita que encontrei chamava-se Chia (ver fotos).Também procurámos conhecer outros sítios da Sardenha como as montanhas e a vida de pastor (sabem que na Sardenha há duas ovelhas por pessoa?!). Jogar às cartas no bar da aldeia, pintar, ler, andar de bicicleta eram outras das actividades dos tempos livres.

Eu e a Mélanie passámos férias separadas, quando se passa 24 horas juntas é bom cada uma ter um espaço... Assim fui acampar para uma zona lindíssima chamada Golfo de Orosei que tem as maiores montanhas da Sardenha – o Supramonte, com mais de 1500 metros e que forma falésias abruptas directamente para o mar, formando pequenas praias de pedra com água límpida, as famosas Cala (lindas de morrer...)

AVALIAÇÃO

No final, há sempre um final..., temos de ajustar contas connosco próprios e perceber que as coisas não são sempre aquilo que esperámos e que temos de aprender a tirar proveito mesmo das situações que não nos agradam.

O meu saldo do sve é positivo, apesar das dificuldades, a valorização pessoal e profissional devem ser tidas em conta.

O pior é que quando regressamos voltamos aos nossos problemas de sempre, às nossas questões diárias e a intensidade das coisas muda de novo radicalmente! Há que saber lidar com esse aspecto.

O que mais me surpreendeu foram algumas pessoas maravilhosas que encontrei pelo caminho e que os italianos comem dois pratos por refeição!!

Do que mais senti falta foram os meus amigos, uma vida cultural intensa e uns cafezinhos à beira do mar ao final da tarde...

O sve é uma oportunidade de olhares para dentro de ti, porque és obrigado a enfrentar situações novas, e teres de tomar decisões por tua conta e risco, é olhares à tua volta e aprenderes a aceitar a cultura dos outros.

O SVE é uma viagem ao teu universo e ao universo dos outros, é o descobrir novas formas de linguagem!

Sus 2002

 

 

Bruxelas - Bélgica . Daniel Nogueira

TEMA: International Disability Project – PHOS - 2002-BEFL-11

Entidade Envio: Rota Jovem

Entidade Acolhimento: AFS Interculturele Programma’s

Data: 22.02.2003 a 22.08.2003

 

 

 

karlsruhe - AlemanhaAntónio Machado

TEMA: PARZIVAL-Schulen Karlsruhe - 0-DE-719

Entidade Envio Rota Jovem

Entidade Acolhimento Freunde der Erziehungskunst Rudolf Steiners e.V.

Data: 1.09.03 a 31.07.04

 

Breve apresentação pessoal

Chamo-me António Machado, tenho 25 anos e sempre tive interesse em descobrir e aprender coisas novas. Sou de Setúbal, uma cidade pitoresca cujos pontos fortes são a costa banhada pelo Oceano Atlântico e a proximidade de uma serra lindíssima denominada por Arrábida.

Já efectuei anteriormente contactos com o ser voluntário, nomeadamente na instituição de solidariedade social Cáritas ao trabalhar no apoio a grupos de sem-abrigo e toxicodependentes por dois anos. Realizei igualmente voluntariado numa instituição que dá apoio a crianças órfãs.

Antes de concretizar o meu SVE acabei uma licenciatura em Professor de Ensino Básico Variante Educação Visual e Tecnológica, sendo este um dos pontos fortes que me levaram a realizar o projecto.

A minha decisão foi motivada principalmente pelo meu interesse em artes plásticas e novas formas de pedagogia no ensino, tendo o projecto estas características. Queria ainda conhecer novas culturas e diferentes realidades.

Para uma melhor compreensão do que significa uma nova forma de ensinar, faço de seguida um breve resumo da pedagogia denominada por Waldorf, correspondendo esta ao método utilizado na escola onde trabalhei.

Existe por vezes um mal entendido quando se fala na pedagogia Waldorf, em que se diz que esta escola ensina pela arte, prendendo-se mais com o ser a arte da educação. Por exemplo, a tarefa essencial do professor tanto nas actividades práticas como culturais é trabalhar com os alunos como um “artista”. Não se trata unicamente de ensinar arte ao aluno, mas de lhe ensinar também as matérias “não artísticas” de uma forma artística e imaginativa. Este método de ensino tem objectivos claros: dar liberdade, criar entusiasmo e encanto pela aprendizagem e respeitar a criança, dando-lhe tempo e espaço suficientes para aprender, sem competição e sem pressas.

A pedagogia Waldorf baseada na antroposofia significa o ter a sabedoria do homem enquanto ser composto por corpo, alma e espírito e com capacidades de pensar, sentir e agir.

Por exemplo, em História é mais importante que a criança compartilhe a angústia de Cristóvão Colombo na viagem ao “Novo Mundo”, do que aprender as datas importantes na biografia deste personagem. De facto, estas adquirem mais significado quando se experimentou o primeiro processo. Basicamente o professor dirige-se à sensibilidade da criança dos sete aos catorze anos, dado que a capacidade de relação se forma mais com base nos esforços e capacidades do professor como “artista”, que na matéria de estudo em si.

Nas Ciências Naturais, a capacidade de maravilhar-se ante o prodigioso, cultiva-se também nesta idade. Tais sensações podem aflorar por exemplo ao estudar o corpo humano, e descobrir a relação vital entre a substância mais dura e as células mais viajadas. Este sentido para o assombroso acaba por desenvolver um sentimento de reverência, podendo criar uma sensibilidade ante o prodigioso, reforçando as aptidões críticas que o estudo da ciência requer, e que se desenvolvem em etapas posteriores do ciclo educativo.

São três as fases pelas quais a criança passa segundo a pedagogia Waldorf. A primeira vai desde a concepção até aos sete anos, e a palavra chave da mesma é – Imitação. Esta consiste na etapa mais receptiva da aprendizagem da criança. O pôr-se em pé, a aquisição da linguagem e a capacidade de pensar são conquistas gigantescas, conseguidas num período de 3 ou 4 anos. A criança aprende tudo isto sem que lhe seja ensinado. Adquire-o graças a uma capacidade latente, instinto e sobretudo imitação. A criança imita tudo o que a rodeia, não só os sons da fala e os gestos dos adultos, mas também as atitudes dos pais e amigos.

A segunda fase consiste na Imaginação e vai desde os sete aos catorze anos. A criança desenvolve uma nova e vida activa imaginativa, ao mesmo tempo que uma maior disposição para a aprendizagem em sentido formal.

Experimenta e expressa a vida por meio de sentimentos mais definidos. Começa a desenvolver uma aptidão para pensar consequentemente. Esta etapa tem que ser tratada com cuidado, pois ainda que o pensar necessite de ser estimulado, a característica essencial continua a ser o universo imaginativo.

Nesta fase, os professores optam por não usar manuais escolares. São os estudantes que, por si próprios, construem os livros pelos quais estudam. E, dizem os professores, são autênticas obras de arte. Na medida em que os alunos não possuem livros mas sim cadernos, estes têm que escrever a matéria e os estudos que fazem, tendo que posteriormente os ilustrar, sendo tal uma forma de estudo e reflexão.

Também os media electrónicos são rejeitados até ao liceu, por se considerar que dificultam o desenvolvimento saudável e livre. Os professores Waldorf defendem que, até esta idade, os estudantes devem ter a oportunidade de interagir livremente uns com os outros, explorar o mundo das ideias, participar nos processos criativos, desenvolvendo o seu conhecimento, capacidades e qualidades próprias, sem que isso atrase a sua formação em relação aos estudantes do sistema de ensino oficial.

A terceira fase corresponde ao período dos catorze aos vinte e um anos sendo esta definida pelo Juízo Racional. Nesta fase o aluno é capaz de utilizar a sua mente como  instrumento objectivo. Outros traços próprios da psicologia são um idealismo valioso e são, assim como uma vulnerável sensibilidade do adolescente aos seus próprios sentimentos e experiências.

3. Programa das actividades, horários…

As actividades que me cabiam estavam relacionadas com o desenrolar do trabalho escolar, como tal o meu horário encontrava-se subentendido a este.

Todos os dias ás 08h00m começava o dia com a disciplina de educação física, sendo sempre uma classe diferente. A seguir a esta aula tinha uma pausa, que consoante os dias seria maior ou menor. Posteriormente, e se fosse segunda-feira, teria aula de inglês com a 3ª classe ás 10h20m. Se fosse por exemplo quarta ou quinta-feira poderia ter aula de Jardinagem e Horta ou Trabalhos Manuais.

Todos os dias ás 12h00m com a ajuda da outra voluntária, tinha que colocar nas salas de aula das 1ª e 2ª classes as refeições dos alunos. De seguida tinha pausa para almoçar até ás 12h45m, por esta altura era a vez de colocar nas salas de aula das 3ª, 4ª, 5ª, e 6ª classes as refeições.

Das 13h30m até ás 14h30m sensivelmente, era o período em que em conjunto com a outra voluntária, e com a ajuda de uma máquina de lavar louça tratávamos dos talheres e da louça dos alunos, de modo a poderem servir-se dos mesmos no dia seguinte.

Ás 14h30m consoante fosse segunda-feira seguia-se uma aula de Jardinagem e Horta, se fosse quarta-feira seria Trabalhos Manuais. As tardes dos outros dias eram livres.

Ás quartas-feiras era-me possível assistir à reunião pedagógica e gestão da escola no geral, estando presentes todos os professores.

Cidade

A cidade onde estava inserido chama-se Karlsruhe, e situa-se no sudoeste da Alemanha junto a Heidelberg e Estugarda na região de Baden-Wurttenberg. Posso dizer que adorei a cidade, e que me adaptei bastante bem.

Um ponto forte desta prende-se com o elevado cariz académico, possuindo várias universidades, desde Belas-Artes, Música, Desporto até Tecnologias, Engenharias e Informática. Torna-se assim um pólo interessante de relacionamentos, recebendo estudantes de várias partes da Alemanha e mesmo do mundo.

As inúmeras actividades culturais e locais de interesse que Karlsruhe possui, permitem a troca de impressões e trocar amizades.

É uma cidade que se encontra na parte norte da Floresta Negra, existindo meios de transporte que facilitam o acesso a quem a queira conhecer.

A proximidade a cidades como Estugarda, Heidelberg, Freiburg, Estrasburgo em França e o Lago Constança na Suiça, tornam-na especial.

Os transportes em Karlsruhe são excelentes, e uma coisa que me surpreendeu imenso pela positiva foram as ciclovias que nos conduzem a qualquer ponto da cidade.

Desde o início que fiz bastantes amizades, primeiro com estudantes portugueses de Erasmus, depois com os meus colegas do curso de língua e posteriormente com pessoas que conhecia esporádicamente. Fiz amizade com alemães como é claro, e posso dizer que as maiores amizades que trago são alemãs, no entanto, senti de início muito mais facilidade e abertura ao comunicar com estrangeiros. Isto creio, não se deve a uma atitude de xenofobia, mas a um processo natural, em que ao se estar num país diferente aqueles que se encontram como nós entendem a nossa situação, e procuram igualmente quem os compreenda.

Constatei por vezes bastante curiosidade da parte de algumas pessoas em conhecerem a minha cultura, estando predispostas a uma partilha de ideias.

Karlsruhe é uma cidade bastante dinâmica, realizando-se inúmeras exposições, concertos, possuindo museus com temáticas diversas, etc. Algo que contribui igualmente para esta dinâmica é o possuir uma população com várias nacionalidades, fazendo com que as várias actividades efectuadas partam de vários grupos étnicos.

Residência

A casa onde fiquei instalado não poderia ter melhores condições nem situar-se em melhor sitio. Fica situada na zona sul da cidade; um bairro que se caracteriza pela quantidade de diferentes nacionalidades que nele habitam. Isto manifesta a presença de uma grande diversidade de bares e restaurantes com comidas típicas, algumas galerias de arte e um cinema cuja programação é constituída por filmes de vários países.

Outro factor muito importante é o situar-se a 10 minutos a pé do centro da cidade e a 5 minutos de uma piscina onde nadava regularmente.

A casa em si é bastante aconchegadora, tanto no Inverno como no Verão. Possui um sistema de aquecimento em todas as divisões e tinha à minha disposição um quarto enorme e bem mobilado. Tem uma cozinha bem equipada e uma casa-de-banho com boas condições. Está colocada no último andar do prédio, e por vezes deliciava-me com um pôr-do-Sol que irradiava no céu tons de fogo lindíssimos.

Um pormenor curioso é o facto do tecto do quarto ser uma água furtada, como tal a janela presente encontra-se na diagonal incidindo a sua vista sobre o céu. Isto permitia-me à noite vislumbrar as estrelas enquanto adormecia.

Morava comigo uma outra voluntária que desempenhava igualmente funções na escola. Possuía um quarto igualmente amplo, podendo-nos assim respeitar mutuamente relativamente ao espaço.

O ter que viver sozinho fez-me ter tarefas que normalmente não teria, e foi-me um pouco difícil de início

organizar o tempo disponível com a resolução das mesmas. Ao fim de algum tempo, e depois de uma certa prática e habituação criei uma estrutura que me permitia funcionar. Um exemplo será o cozinhar, pois de início algumas refeições que preparei mostraram-se intragáveis. Tive que recorrer algumas vezes aos prontos-a-comer da minha rua, em que a especialidade para mim tornou-se o faláfel da cozinha turca.

Actividades desenvolvidas…

A escola onde decorreu o meu projecto está direccionada para crianças com problemas de aprendizagem, motores e sociais inseridas em turmas com crianças normais. Possui turmas da 1ª à 6ª classe, tendo estas um número reduzido de alunos devido ao carácter dos mesmos. A escola funciona segundo a pedagogia de ensino alternativa denominada por Waldorf.

Para uma melhor descrição das actividades, e do que aprendi com as mesmas irei primeiramente enumerá-las. Estas actividades correspondem ás tarefas que desempenhei no funcionamento das aulas e da escola; sendo o apoio dado às aulas de Educação Física, a participação nas aulas de Inglês, nas aulas de Jardinagem e Horta e nas aulas de Trabalhos Manuais. Correspondem também o assistir ás refeições dos alunos nas salas de aula, o auxílio a certas celebrações e festividades do calendário escolar, visitas de estudo com algumas classes e actividades extra que necessitavam da colaboração dos voluntários.

Nas aulas de Educação Física (sendo estas todos os dias pelas 8h00m) eu entendia o meu papel como um complemento ao da professora. Esta, enquanto figura principal, auxiliando-a eu naquilo que a mesma necessitava para o funcionamento da aula.

Consoante as actividades da aula eu tinha deveres diferentes. Em todas as turmas as aulas tinham início com jogos, por vezes livres, outras vezes designados pela professora. Aqui, eu teria basicamente que ter em atenção os comportamentos das crianças, quer no cumprimento das regras dos jogos, quer nas relações interpessoais dos alunos. Muitas das vezes participava igualmente nos mesmos, de forma a incentivar um ou outro aluno um pouco desmotivado ou com mais dificuldade.

A seguir ao jogo teríamos actividades que se caracterizam por terem objectivos do ponto de vista da disciplina mais específicos. Isto porque, os conteúdos dos mesmos revestiam-se de exercícios com múltiplas tarefas, em que os alunos teriam que recorrer a trampolins, cordas, caixas de saltos, cavalo, colchões, bancos, etc. desenvolvendo competências como perícia, força, equilíbrio, resistência, velocidade, etc. Nestas actividades o meu papel consistia em ajudar os alunos a realizar as tarefas quando precisavam, ter em atenção para que não se magoassem quando realizavam as mesmas e ajudar a situar os objectos que eram necessários para a realização das actividades.

As aulas terminavam quando possível com outro jogo, mas com um cariz diferente do início da aula, não era um jogo tão físico e energético como o primeiro, seria uma forma das crianças se descontraírem e relaxarem. Neste, a minha função era basicamente a de participante.

Quero ainda referir que o grau de dificuldade das actividades e os conteúdos das mesmas são diferentes de turma para turma, e por vezes de aluno para aluno. Deve-se este facto ás diferenças de idades e problemas que alguns possuem.

No geral, o meu trabalho inicial nas aulas de Inglês consistia em chamar a atenção aos alunos distraídos e dar enfâse ao que a professora lhes transmitia. Concretizava isto pelo realizar e dizer o mesmo que a professora deslocando-me pela sala de aula.

Algo que me facilitou a participação e apoio nestas aulas terão sido os meus conhecimentos da língua inglesa.

Quando me comecei a sentir mais à vontade com o falar alemão e com a forma de ensinar, a professora deu-me oportunidade de leccionar por mim

próprio algumas aulas. Foi extremamente interessante, ainda que fosse só a uma turma, à 3ª classe, pude constatar na prática a forma de como alguns aspectos desta pedagogia funcionam. O despertar da curiosidade através de história, o apreender gramática e vocabulário pelo cantar ou através de jogos e não tanto pela memorização sistemática, tudo isto me forneceu bastante matéria para reflectir.

As aulas de Jardinagem e Horta eram das minhas preferidas. Para mim o ponto forte (além de contactar com a pedagogia) terá sido o poder ver de uma forma orgânica, de uma forma viva, o resultado do nosso trabalho.

Esta disciplina era leccionada às 5ª e 6ª classes tendo a 6ª classe alunos bastante difíceis de lidar do ponto de vista comportamental e social.

Algo que me impressionou bastante foi a atitude da professora perante certos alunos. Tentava perante a agressividade e intolerância destes demonstrar sempre determinação e compreensão, e devo dizer que a admiro bastante por isto.

As minhas tarefas consistiam em ajudar os alunos e a professora na realização das actividades. Isto era feito de uma forma directa, isto é, se era preciso cavar, cavávamos, se era preciso cortar partes de uma árvore, cortávamos e assim por diante. Tudo isto realizado com a ajuda da professora, e as devidas explicações sobre o que deveríamos fazer e porquê. Esta deu-me a oportunidade de leccionar algumas aulas preparadas por mim, sendo sobre assuntos relacionados com a região onde habito em Portugal.

As aulas de Trabalhos Manuais consistiam basicamente na realização da parte dos alunos, das mais variadas peças de madeira, desde barcos até colheres. Só comecei a frequentar estas aulas nos últimos três meses. Isto porque esta disciplina é leccionada ás 5ª e 6ª classes no mesmo horário da Jardinagem e Horta, sendo que metade da turma tem uma disciplina e a outra metade outra.

Eu participei sempre na Jardinagem e Horta pois a professora necessitava bastante da minha ajuda, (principalmente com a 6ª classe) dispensando-me no entanto da 5ª classe a meu pedido. Fiz este pedido porque, (como já referi interesso-me bastante por artes plásticas) o professor de Trabalhos Manuais ofereceu-me um pedaço de madeira de grandes dimensões para realizar a escultura que quisesse.

A minha participação nestas aulas seria o corrigir ou ajudar os alunos que me pediam, e tomar conta da aula quando o professor precisava de sair, o resto do tempo esculpia.

A escola onde realizei o meu projecto intitula-se Escola Parzival mas, junto a esta encontra-se a Escola Waldorf Livre de Karlsruhe. Esta é muito anterior à outra, caracterizando-se por possuir turmas da 1ª à 13ª classe, não estando direccionada para alunos com problemas como os da Escola Parzival.

As duas escolas encontram-se ligadas pelo utilizarem a mesma pedagogia, (a Escola Parzival de uma forma um pouco diferente devido ao carácter dos alunos) e devido aos apoios que a Escola Parzival recebeu da outra.

Divulguei esta informação para referir de onde provêm a comida que é fornecida aos alunos da escola em que trabalhei. A comida é preparada na cozinha da Escola Waldorf Livre, (a mesma cozinha que prepara as refeições dessa escola) e é colocada em caixas (uma caixa para cada turma).

A minha função era dirigir-me a essa cozinha e com a ajuda de um carrinho transportar as caixas para as respectivas salas de aula. Outra função era assegurar-me que as caixas retornavam à cozinha, e que as crianças teriam talheres e louça lavada para a refeição do dia seguinte. Para estas funções contava com a ajuda da outra voluntária e de uma máquina de lavar louça.

Relativamente ao auxílio prestado a certas celebrações e festividades a minha participação reflectiu-se em épocas como o início do Outono, na Primavera, no Natal , etc. Em conjunto com alguns pais, alunos e professores realizaram-se bazares, celebrações, teatros, etc. que precisavam de alguma mão-de-obra para colocar todos os acessórios e equipamentos necessários.

Tendo em conta as visitas de estudo, aquela que mais me marcou foi uma que efectuei com a 3ª classe a um ferreiro que habita na Floresta Negra. Foi muito interessante, pois pude ver como se trabalha o metal de uma forma artesanal, sendo permitido aos alunos com a ajuda do ferreiro moldar uma peça.

Mostrou-nos ainda um mecanismo inventado por Leonardo da Vinci e construído pelo pai. Este mecanismo de pás, rodas dentadas e dois martelos gigantes ao utilizar a força de um rio, permite em minutos moldar uma peça de aço que demoraria semanas, se utilizada somente a força de braço.

Outras actividades ou tarefas em que participei, foram por exemplo, o ter ajudado a 3ª classe e o professor de Trabalhos Manuais na construção de um muro com pedra de areia e cimento adjacente à escola.

Juntamente com a 3ª classe e a professora de Jardinagem e Horta plantámos e recolhemos um campo de batatas e outro de trigo.

Participei igualmente na mudança da Escola Parzival, isto porque as actuais instalações foram “emprestadas” pela Escola Waldorf Livre, e esta necessita das mesmas para o próximo ano.

A Escola Parzival já tinha conhecimento deste facto, e a construção de uma nova escola já teve início. No próximo ano lectivo as novas instalações não irão estar concluídas, no entanto estão a ser preparadas umas provisórias.

Para além de tudo o que referi, saliento o facto de ter trabalhado com crianças da 1ª à 6ª classes possibilitando-me o confronto com as diferentes mentalidades e níveis de aprendizagem.

A observação que realizei sobre a forma de cada professor se relacionar com as turmas e como transmite o conhecimento aos alunos.

As inúmeras conversas que tive com os vários professores sobre a pedagogia e o ensino, mas também sobre os seus percursos enquanto seres humanos.

As amizades que fiz com os alunos e os professores ensinaram-me muito sobre mim mesmo, o que lhes queria transmitir e como.

Tive a possibilidade de aprender e praticar a língua alemã, mas também de melhorar o meu inglês, adquiri conhecimentos sobre como melhorar as técnicas de trabalhar a madeira e outros materiais. Aprendi outras noções sobre plantas e ecossistemas no geral.

Tempos livres

Procurei ocupar os meus tempos livres de várias formas. Entre estas realizei um curso de desenho e pintura de nus, ajudei uma amiga a concretizar um workshop de artes plásticas e como tal disponibilizou-me um espaço e ferramentas para fazer uma escultura em madeira, realizei ainda uma escultura de madeira e outra em mármore no atelier de escultura da Escola Waldorf Livre.

Os tempos livres que passava em casa, e de início foram bastantes devido a não estar habituado a tanto frio e neve, aproveitava-os no começo para estudar alemão. Posteriormente, comecei a ler alguns livros em inglês de forma a melhorar os meus conhecimentos, e também a desenhar e a pintar bastante.

Aos fins-de-semana normalmente passeava com amigos, e tive a sorte de um deles ter carro de forma que visitei grande parte do sul da Alemanha. Visitei desde Heidelberg, Freiburg,Estugarda, Estrasburgo em França, o Lago Constance e a Suiça, Frankfurt, Munique até Weimar, Witzenhausen, etc.

Sendo Karlsruhe uma cidade bastante académica estavam sempre a acontecer vários acontecimentos, actividades e festas. Recordo-me de uma noite em que fui a três festas diferentes, mas também das inúmeras exposições e museus que visitei. Desde uma exposição do designer Colani até uma sobre a lenda alemã dos Nibelungos.

Avaliação final

A avaliação final que eu dou a este projecto, de um ponto de vista quantitativo é de 100%.

Foi uma das experiências mais impressionantes que eu tive a oportunidade de até agora vivenciar.

É claro que nem tudo foram facilidades ou momentos bons. Existiram alturas em que tive bastantes dificuldades. Quer devido à língua quer a uma cultura e mentalidade diferentes, o sentir-me sozinho e uma certa incompreensão da parte de algumas pessoas no meu projecto e fora deste.

Foi no entanto, o ultrapassar certos problemas e o resolver determinados conflitos, que me fez crescer mais enquanto indivíduo e dar importância e valor a coisas que até então eram supérfluas para mim.

Inclusivamente, a perspectiva de realizar um Capital Futuro interessa-me, principalmente se com este puder aprofundar os meus conhecimentos na pedagogia Waldorf, ou mesmo ter a oportunidade de realizar algo na minha área profissional e não só. 

Creio que todas as pessoas encontrando-se na situação de poderem, devem realizar um Serviço Voluntário Europeu. Mudou-me enquanto ser humano, as perspectivas que eu tinha da minha vida e o que quero fazer desta. Abriu-me os olhos para a importância não apenas de uma consciência europeia mas universal, o ter conhecido pessoas do mundo inteiro, desde a Índia até à Bolívia.Ver que partilhamos todos das mesmas alegrias e ansiedades, que temos uma meta em conjunto, em que os pontos de vista diferentes que possuímos deveriam ser não para nos separar, mas para nos complementar.

 

 

Mantova - Itália . Nuno Oliveira

TEMA: “DIFFERENTLY TOGETHER” - 2003-IT-16

Entidade Envio: Rota Jovem

Entidade Acolhimento: Cooperativa sociale “Bucaneve”

Data: 15.09.03 a 14.09.04

 

Apresentação pessoal

O meu nome é Nuno Oliveira. No dia 15 de Setembro de 2003 parti para Itália para uma pequena localidade chamada Castel Goffredo, na provìncia de Mantova, Região da Lombardia.

Depois de estudar economia e ter exercido a actividade de consultor durante quase 3 anos, decidi realizar um projecto de voluntariado de longa duração como forma de experimentar um outro tipo de actividade que se adequasse mais aos meus gostos e capacidades.

Antes de começar o SVE efectuava já muitas actividades de voluntariado pós-laborais. Intercâmbios internacionais, cursos de formação, actividades como animador, voluntariado com crianças, acompanhamento de estudos entre outros. Isto veio despertar a criança que tinha em mim e levou a perceber que seria na área educativa que queria trabalhar.

Essa experiência permitiu-me conhecer uma realidade social que me interessou muito e me ajudou a tomar a decisão de partir.

Programa das actividades, horários…

O meu projecto tinha como objectivo potenciar a resposta às necessidades das pessoas com deficiencias. A socialização e a integração dos utentes, muitas vezes sujeitos à marginalização, era o objectivo a ter em mente sempre que se realizavam as actividades.

O projecto desenvolveu-se em duas estruturas: Um Centro Sócio Educativo e uma Comunidade de alojamento. Todas as actividades eram efecutadas em conjunto com os educadores e operadores de serviço na cooperativa. Os objectivos gerais eram os de ajudar os utentes no seu quotidiano, seja num ambiente educativo seja num ambiente doméstico.

No Centro Sócio Educativo fazia os turnos das 08h15 às 15h00 e as minhas tarefas eram:

· Fazer o transporte dos utentes da sua casa ao centro e vice-versa;

· Acolhimento dos utentes à chegada;

· Actividades específicas (ginàstica, workshops artísticas, musicais e teatrais, cozinha, passeios,  desportos, etc);

· Preparação do almoço, almoço e arrumar a cozinha juntamente com os utentes;

· Higiene pessoal e relax.

Na comunidade de alojamento fazia os turnos das 21h00 às 9h00 (turnos nocturnos):

· Preparação do jantar,  jantar e arrumar a cozinha.

· Higiene e relax;

· Muitas vezes saímos à noite para comer fora ou participar em festas locais ou simplesmente para nos divertirmos;

· Durante a noite dormia juntamente com uma utente que tinha dificuldades em virar-se na cama;

· De manhã ajudava na higiene pessoal e preparar o pequeno-almoço.

Cidade, ambiente desta, adaptação…

A vila onde vivi durante um ano estava situada num ambiente misto. Era envolvida por campos agrícolas (Componente rural), mas muito perto de grandes certos urbanos (Milão, Verona) e turísticos (Lago de Garda). Contudo era um local muito pouco activo em actividades culturais. Tinha de se estar muito atento para conseguir participar nas actividades e festas que se efectuavam dada a sua escassez. As pessoas pertenciam igualmente a uma classe mista, entre o rural e o citadino.

A integração foi um processo gradual. Muitas vezes as pessoas não conseguiam ver quais eram as necessidades de um individuo que está sozinho e longe de casa. Por isto tive de ser eu a procurar as pessoas. Inscrivi-me em cursos de formação, actividades com crianças, desporto, etc. Lentamente comecei a construir relações mais próximas.

Seja como for as maiores amizades vieram dos outros voluntários europeus que estavam a fazer os seus projectos nas áreas circundantes. Isto aconteceu, talvez porque a experiências que estavamos a viver nos aproximava.

Depois de um ano sentia-me muito bem em Castell Goffredo e foi uma decisão dificil ter que voltar outra vez ao quente Portugal.

Residência, sozinho ou integrado numa família…

Estava a viver num apartamente independente juntamente com um outro voluntário hungaro. Era esminado com a comunidade de alojamento onde também trabalhava. O apartamento tinha 3 quartos, uma sala com cozinha, uma casa-de-banho e duas varandas.

Tinha por isso muito espaço. O único problema era mesmo ter de o manter limpo.

Actividades desenvolvidas…

Seja no Centro Socio Educativo (CSE), seja na comunidade desenvolvi imensas actividades onde tentei sempre dar o meu contributo de forma activa.

Na comunidade as actividades não eram programadas. Dependia da vontade e criatividade do operador. No CSE todas as actividades tinham um objectivo educativo ainda que se respeitam muito os tempos e necessidades dos utentes.

Desporto: Acompanhávamos os utentes à piscina, judo e ginásio onde trabalhavamos juntamente com um instrutor especializado de acordo com os níveis de cada um.

Fisioterapia: Os utentes com problemas físicos mais graves tinham um conjunto de exercicios que deviam executar 2 a 3 vezes por semana com a ajuda de um operador.

Passeios: Muitas vezes uma actividade relaxante era aquilo que melhor se adequava ao grupo.

Autonomia social: Levar os utentes ao bar, biblioteca, lavandaria, padaria, supermercado, etc era a melhor forma de inseri-los na sociedade.

Workshops artisticos: Pintar, construir, desenhar, colar e recortar sempre deixando as emoções falar mais alto que a técnica.

Relax: Devido aos níveis de ansiedade presentes em muitos utentes era importante ajudá-los a relaxar. Massagens, banhos de imersão e tratamento do corpo são exemplos disso.

Cozinha: Cozinhar é uma actividade creativa e estimulante no sentido em que produz um output tangível e apetitoso.

Férias: Fazia parte das nossas tarefas proporcionar aos utentes umas férias agradáveis e tranquilas. Assim tivemos em contacto com eles 24 horas por dia durante 2 semanas (uma no mar e outra na montanha) onde eramos responsáveis por todas as acções deles. Desde o acordar ao deitar!

Tempos livres

Os meus tempos livres foram ocupados num conjunto de actividades formais e informais que permitiram disfrutar de uma forma mais intensa da minha estadia em itália.

Animação de tempos livres: durante 10 dos 12 meses que estive em Itália trabalhei como voluntário num ATL (Actividades de Tempos Livres) com jovens dos 10 aos 16 anos. Depois de demonstrada a minha assíduidade, fui inclusivé inserido na equipa de trabalho assumindo algumas responsabilidades.

Cursos de formação: Efectuei vários cursos relacionados com movimentos pacifistas e de não violencia, cursos de cidadania e psicologia de adolescentes.

Viajar: Tive ainda a oportunidade de viajar um pouco por todo o norte de Itália. Utilizando os recursos de forma parcimoniosa consegui viver a Itália cultural de modo intenso.

Cultura: Sempre que existiam ìa às festas locais das vilas em redor de Castel Goffredo. Cinema e teatro eram um pouco inconstantes, mas eram também uma possibilidade a ter em conta.

Ler, estudar e internet: Três constantes no meu quotidiano.

Amigos, festas, conversas e momentos foram coisas que se foram intensificando com o avançar do projecto.

Avaliação final

Trabalhar com pessoas deficientes ensinou-me muitas coisas. É um trabalho onde se deve perceber uma outra realidade muito diferente daquela que estamos habituados e aceitar-la como normal. Em particular aprende-se a usar o tempo de uma forma consciente e matura.

Tornei-me mais tolerante na maneira como trabalho com as pessoas dado que adquiri uma maior sensibilidade para a fragilidade humana.

Adicionalmente pude também aprender muitos métodos e técnicas na área de trabalho social uma vez que acompanhei de perto o trabalho dos educadores e operadores ao serviço da cooperativa. Este conhecimento interessa-me particularmente uma vez que pretendo iniciar uma actividade profissional nesta área.

O conhecimento de uma nova língua, nova cultura, nova realidade é sempre uma fonte de enriquecimento que te dá uma visão mais global e completa do mundo.

 

 

 

Bruxelas - BélgicaAlfredo Farinha

TEMA: “an intercultural dimension on playing with children”

Entidade Envio Rota Jovem

Entidade Acolhimento Vlaamse Dienst Speelpleinwerk

DATA 15.09.03 – 14.09.04

 

Preparação de acolhimento

Correu de uma forma natural, já conhecia a organização, as suas instalações e funcionários, pois já tinha feito uma visita preparatória, inclusive já conhecia o bairro onde iria ficar a viver. Após 4 dias da minha chegada fomos passar três dias a Londres com toda a equipe, para se fazer a preparação do ano seguinte. Simultaneamente iniciei logo após regressar de Londres, o meu primeiro curso introdutório ao dutch.

As actividades

Bom esta é impossível de responder. Todas as semanas são diferentes e moldadas ao seu estilo próprio. Como o meu projecto é muito aberto, no sentido em que eu posso escolher a minha área de actuação dentro de todo o trabalho realizado pela organização, todas as semanas são centradas em diferentes temas, variando com o que se desenvolve nessa altura. Assim as minhas funções vão desde preparar e realizar workshops, trainnings, projectos internationais, actualisar a webpage, projectos específicos, etc.

Relação com Associação

Temos uma relação muito boa de mutua confiança e abertura. Tenho diversos apoios extra, inclusive apois financeiros (todo o dinheiro por mim gasto em transportes é pago extra dinheiro do EVS), demonstram também ser preocupados com o meu bem estar e com o bom desenvolvimento do projecto.

Comunidade local

Estou a viver em Ledeberg, um pequeno bairro de Gent, que se caracteriza por ser um bairro multi-cultural onde habitam pequenas comunidades de emigrantes de diferentes origens. Gent e também uma cidade fortemente enraizada na multi-culturalidade, pois para alem de diversas comunidades de emigrantes, ha também grande numero de estudantes a efectuar os mais diversos projectos, erasmus, investigação, socrates, o que faz com que seja impossível não encontrar em todas as ruas pessoas de culturas e nacionalidades diferentes. Com isto a minha adaptação não foi difícil estando neste momento a frequentar um ginásio local, faço compras no comercio tradicional local, onde em alguns casos já me reconhecem, participo em jantares de vizinhos e sempre que posso estou pronto para uma farra com um grupo de amigos ja conquistado na comunidade local

Familia de acolhimento

Eu encontro-me a viver num quarto alugado pelo que só posso falar da minha parceira de habitação e do seu filho. Temos uma boa relação, na qual ate ao momento não existiu qualquer conflito. é uma pessoa bastante acessível a quem sempre que necessito peço ajuda e informações, assim como ela o faz comigo sempre que de algo necessita, como por exemplo, por a roupa a secar, tomar conta do miúdo, qual é o programa nocturno, cinemas, teatro, etc.

A adaptação

Os meus maiores problemas na adaptação foram a língua, o dutch é realmente muito difícil,  e os horários, são muito regidos com horários e chegam sempre atrasados ou desmarcam coisas em cima da hora.

Es tu que cozinhas ? Se sim, ultrapassaste sem dificuldade ?

Sim, sou eu que cozinho, o que já fazia anteriormente e ate me da algum prazer. Actualmente a única dificuldade esta « em fazer render o peixe », i.e., fazer pratos baratos e que dêem para mais que uma ou duas refeições.

O que esqueceste de levar

Esqueci-me de trazer alguns livros, talvez todos aqueles que ainda tenho na mesinha de cabeceira por ler, uma garrafa de absinto para algumas festas especiais e uns cds de musica portuguesa para ir matando a saudade (Zeca Afonso, « Cesaria Evora, Caetano Veloso, Martinho da Vila »,que não sendo portugueses tambem devia ter trazido, Mafalda Veiga, Santos e Pecadores, João Pedro Pais, Amalia, António Variaçoes, Agata, Toy, Quim Barreiros, Romana, Delfins, Trovante, etc, e como podem perceber a distancia muda o gosto auditivo da pessoas, qualquer musica portuguesa agora é boa musica)

O que sentes falta

O mar… ir a pesca, nadar, olhar para o infinito azul, ver o brilhante do branco rebentar das ondas e a correria dos caranguejos numa rocha molhada.

Jantar numa tasca … uma garrafa de tinto da casa, um queijo de Serpa, um balcão de pedra mel (de tantas vezes lavada com o pingar do molho das bifanas), um fado de timbre vadio e o seco sabor de uma noite aconchegada num calice de macieira.

Tempos Livres

Para além de estar a frequentar um ginásio onde sempre que posso vou, tento também ir ao cinema, com o pessoal a um bar, visitar mercados e feiras, assim como fazer outros programas que vão aparecendo. Com alguma frequência não troco um serão em casa a ouvir Sergio Godinho com uma cachaça ou um wisky e claro esta, não estivesse eu no pais dele, um chocolate remata a combinação.

A Bélgica

A parte flamenga da Bélgica é uma zona com uma grande densidade populacional onde se encontram grandes comunidades de emigrantes e pessoas das mais diversas nacionalidades. As cidades caracterizam-se por serem na sua maioria muito organizadas e limpas, com grandes cuidados a nível da arquitectura e conservação de monumentos e outras construções de referencia. A alimentação é de uma grande multiculturalidade sofrendo as mais diversas influencias e na sua maioria a população faz uma única refeição quente por dia. A cultura é uma das grandes apostas desta região existindo todos os dias as mais diversas manifestações culturais, desde exposições, festas, eventos, espectáculos e festivais.

 

 

Budapeste - Hungria . Marília Coutinho

TEMA ARTUS - 2002-HU-17

Entidade Envio: Rota Jovem

Entidade Acolhimento: Artemisszió Foundation

Data: 29.02.04 a 29.08.04